Destaques da semana: no meio do caminho tinha uma crise

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Destaques da semana: no meio do caminho tinha uma crise (Foto: Pexels) Destaques da semana: no meio do caminho tinha uma crise

O clima internacional atuou mais uma vez contra a Bolsa brasileira. Teve de tudo: novas farpas trocadas entre Estados Unidos e China, sinais de recessão econômica no futuro, dados ruins na Alemanha e na China e uma crise do gigante asiático com Hong Kong. De positivo, pelo menos alguns dados da economia americana vieram melhor do que o esperado.

De acordo com analistas da Toro Investimentos, no Brasil, o governo segue desenhando sua reforma tributária, que deve sair na semana que vem. O desemprego caiu, mas os dados sobre o mercado de trabalho ainda são desanimadores. Já a temporada de balanços chegou à sua última semana com números surpreendentes de Natura e quedas impressionantes de Oi.

Bolsonaro acena com reforma tributária

A reforma da Previdência já está bem encaminhada e deve ter vida fácil durante sua apreciação no Senado. Confiante de sua aprovação, o Planalto já foca seus esforços em torno da próxima grande reforma econômica: a reforma tributária.

O anúncio dos detalhes seria feito nesta semana, mas o governo decidiu adiá-lo para semana que vem. Algumas sinalizações já foram feitas, com a ideia de juntar diversos impostos indiretos como IPI, ICMS, PIS/Cofins e ISS em um único imposto, simplificando a estrutura tributária, além de reduzir impostos de alguns produtos básicos.

O ponto mais polêmico a princípio é a possibilidade de criação de um imposto único sobre pagamentos, semelhante à extinta CPMF. Paulo Guedes, ministro da Economia, já deu algumas declarações nesse sentido. Bolsonaro, por outro lado, reforçou que isso não será incluído na proposta. De qualquer forma, a ideia, a princípio, não inclui o aumento dos impostos totais, apenas o remanejamento da atual carga tributária.

A simplificação é extremamente bem vinda, assim como mudanças pontuais na incidência de alguns impostos. Já a redução da carga tributária, por mais que também seja desejável, talvez não seja factível no atual cenário de contas públicas, que operam sucessivamente no vermelho.

Desemprego em queda

O IBGE divulgou a taxa de desemprego de junho e ela mostrou queda em relação aos últimos meses. Em março, a taxa estava em 12,7%, enquanto agora atinge 12% (mesmo resultado do início do ano). A queda é importante e vem acompanhada de crescimento constante do número de empregados ao longo de 2019.

Por outro lado, não só o número continua muito alto, como ainda existem aproximadamente 28,4 milhões de pessoas subempregadas (pessoas que gostariam de trabalhar mais horas) e 7,4 milhões que desistiram de procurar emprego em meio às dificuldades da crise. Ambos os números estão estáveis, o que mostra que a leve melhora dos níveis de emprego não foi capaz de absorver esse contingente.

Os dados do IBGE também mostram que os empregos sem carteira assinada têm subido de forma mais forte que os empregos com carteira assinada e que o setor de serviços tem sido responsável por boa parte da recuperação. Este último dado é explicado pelo fato de que os investimentos no setor de serviços é de prazo mais curto. Portanto, ele requer menos previsibilidade e pode ser realizado mesmo que os empresários ainda não estejam muito confiantes no futuro. Na indústria, por outro lado, a confiança tem que ser maior, de forma que o emprego industrial ainda deve demorar mais para se recuperar.

Apesar de ainda frágil, a melhora do mercado de trabalho pode impulsionar o consumo e o resto da economia. Contudo, é preciso que esse movimento não seja um “voo de galinha” e que a melhora continue ao longo deste e do próximo ano.

Empresas

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) suspendeu o congelamento de R$3,7 bilhões da Braskem (BRKM5), que foram bloqueados em junho para possível indenização em Maceió (AL) após episódio de rachaduras em imóveis na cidade geradas pela atividade de mineração da petroquímica. O desbloqueio foi condicionado à garantia de um seguro no mesmo valor.

A Petrobras (PETR4), dando continuidade à estratégia de desinvestimentos, ao longo da semana: (i) confirmou a venda de sua participação no Polo Macau por US$191,1 milhões; (ii) iniciou a divulgação para oportunidade para a venda de 11 campos de produção em águas rasas na Bacia de Campos; e (iii) recebeu propostas pela Liquigás, com a Itaúsa (ITSA4) entre os interessados.

Nesta semana vimos uma reversão do lucro de Via Varejo (VVAR3) de R$14 milhões no 2T18 para um prejuízo de R$154 milhões no 2T19, consequência de piora em diversas métricas da Companhia. Apesar disso, a Empresa está de gestão nova e com um plano que pode mudar o quadro para os próximos anos. 

Balanços

Essa semana marcou o fim da temporada de balanços do 2º trimestre de 2019. Entre os destaques:

Alpargatas (ALPA4) apresentou lucro líquido de R$35,9 milhões no 2T19, mostrando crescimento de 59% na comparação anual.

M.Dias Branco (MDIA3) reportou lucro líquido de R$100,6 milhões, valor 52% inferior ao apresentado no mesmo trimestre do ano anterior.

Magazine Luiza (MGLU3) informou lucro líquido de R$387 milhões no segundo trimestre desse ano, avanço de 270% frente o 2T18.

Yduqs (YDUQ3), ex-Estácio, teve um lucro líquido de R$195 milhões, queda de 18% na comparação anual.

Cosan (CSAN3) reverteu o prejuízo líquido do 2T18 para um lucro líquido de R$418,3 milhões no 2T19.

Embraer (EMBR3) reportou lucro líquido de R$57,6 milhões no 2T19, revertendo o prejuízo de R$21,4 milhões do 2T18.

Movida (MOVI3) apresentou crescimento de 4% no lucro líquido e de 57% na receita líquida, ambos na comparação com o 2T18.

Oi (OIBR3) reportou prejuízo líquido de R$1,55 bilhão, alta de 24% frente ao (também) prejuízo reportado no 2T18.

JBS (JBSS3) registrou lucro líquido de R$2,2 bilhões no 2T19, revertendo o prejuízo apresentado no 2T18.

Via Varejo (VVAR3) reportou prejuízo de R$154 milhões , revertendo o lucro líquido de R$14 milhões do 2T18.

Cemig (CMIG4) reverteu o prejuízo apresentado no 2T18 para um lucro líquido de R$2,11 bilhões.

Light (LIGT3) apresentou lucro líquido de R$10,8 milhões, revertendo prejuízo apresentado no 2T18.

Exterior

Nessa semana a inversão da taxa de juros dos títulos do Tesouro norte-americano assustou os mercados globais. Os títulos com vencimento de 10 anos registraram taxas abaixo de 2% desde 1º de agosto (patamar que não atingia desde 2016) e os de vencimento de 3 meses, que deveriam ser menores, em 1º de agosto registravam taxas acima de 2%. 

Desde então, os treasuries de 10 anos não voltaram a superar as taxas de curto prazo, o que mostra um cenário de alta probabilidade de uma crise por vir e a necessidade futura do Banco Central em reduzir a taxa de juros posteriormente como instrumento de impulso à economia. Após a inversão, veio a reação do mercado, que fugiu dos investimentos de risco. Com isso, as principais praças globais registraram fortes quedas.

(Redação – Investimentos e Notícias)