O Health Cleaning: Limpeza que beneficia a saúde da população

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Nunca se falou tanto em sustentabilidade. Todos os setores seguem buscando alternativas para desenvolver seus negócios de forma a gerar o menor impacto ao meio ambiente. Porém, essa tentativa constante de ser e, claro, parecer para o mercado um praticante de processos sustentáveis pode se tornar mais marqueteira do que uma ação que realmente visa aprimorar o trabalho e garantir clientes mais satisfeitos.

No setor de limpeza não é diferente. A expressão green cleaning foi criada nos Estados Unidos e, na teoria, significa utilizar produtos menos agressivos ao meio ambiente. A partir de sua popularização, a limpeza deixou de ser analisada apenas pela remoção de resíduos da superfície, passou a ser avaliada por todo o seu processo. Afinal, não adianta uma organização dizer que realiza um trabalho ecologicamente correto se o produto químico utilizado por ela precisa atravessar o país, gerando queima de combustível e desgaste nas estradas.

Essa mudança na maneira de enxergar a limpeza foi importante, mas não única. Como em todo e qualquer negócio, devemos pensar que uma relação deve ter custo e benefício, tanto para a natureza, como para a empresa. E é nessa relação que o green cleaning, apesar de sustentável, perde. Hoje, o novo paradigma da limpeza é a qualidade em relação à saúde do ser humano. É o que está sendo chamado de Health Cleaning,

Os produtos menos agressivos, utilizados pelo green cleaning, são adequados para ambientes onde a contaminação é menor. Porém, quando falamos em locais que exigem uma limpeza severa, como hospitais e academias, é impossível obter o resultado desejado.

Ao abordar o tema sustentabilidade, começamos a falar em agir para garantir o futuro e a sobrevivência do ser humano. Podemos encarar, sob esse ângulo, o significado dos serviços de limpeza de forma mais ampla: a contribuição para a natureza, mas também para saúde das pessoas. Em São Paulo, morrem sete pessoas por dia por causa da poluição. As escolas públicas registram quatro mil faltas de professores por ano em decorrência de doenças respiratórias. Dados alarmantes como esses fazem surgir a pergunta: posso utilizar um produto químico mais agressivo, desde que traga um retorno positivo para aqueles que frequentam um ambiente?

O Health Cleaning se preocupa com a natureza, mas seu foco também está direcionado diretamente para a saúde das pessoas. Por mais que o green cleaning soe politicamente correto e tenha um lado positivo, ao tornar a limpeza menos agressiva ao meio ambiente, a torna também ineficaz para alguns locais, o que é prejudicial à população.

Falar em sustentabilidade é, sim, falar sobre a qualidade de vida das pessoas no planeta. Sob esse ponto de vista, o health cleaning traz vantagens indiscutíveis. Valendo-se de produtos mais fortes, a compensação para o maior impacto no ambiente vem na melhora para a saúde de cada um.

Para seguir o health cleaning, o processo deve se basear em três E’s da limpeza: ecológica, ergonômica e econômica. O produto químico, os equipamentos e as estratégias de aplicação daquele produto têm que ser levados em consideração em relação ao benefício que está trazendo para as pessoas. Hoje, valorizar a saúde do ser humano sem abandonar esses três pilares é o principal desafio e grande objetivo do segmento de limpeza. E é isso o que o health cleaning propõe.

Renato Ticoulat é diretor de novos negócios da ZELO SERVIÇOS RESIDENCIAIS Fundador da Associação Brasileira de Limpeza (Abralimp) e da Associação Brasileira de Facilities (Abrafac); professor do Curso Limpeza em Condomínios da Universidade Secovi e de Limpeza Sustentável da Facility Service,