IPCA - Índice de Preços ao Consumidor Amplo

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Principal referência para a inflação no Brasil fechou 2017 abaixo da meta Foto: divulgação Principal referência para a inflação no Brasil fechou 2017 abaixo da meta

Entenda o que é IPCA e como este índice é calculado.

IPCA registra variação de 0,11% em agosto

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto variou 0,11%, ficando 0,08 ponto percentual (p.p.) abaixo da taxa de julho (0,19%), segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A variação acumulada no ano ficou em 2,54% e, nos últimos 12 meses, em 3,43%, acima dos 3,22% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores.

De julho para agosto, houve deflação em três dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados. As variações negativas mais intensas vieram dos grupos Alimentação e bebidas (-0,35%) e Transportes (-0,39%), que contribuíram com -0,09 p.p. e -0,07 p.p., respectivamente. Além disso, o grupo Saúde e cuidados pessoais também recuou (-0,03%), embora com menos intensidade que no mês anterior (-0,20%). No lado das altas, destaca-se o grupo Habitação (1,19%), principal impacto no IPCA de agosto (0,19 p.p.), cuja variação ficou próxima à de julho (1,20%). Os demais grupos ficaram entre as altas de 0,09% em Comunicação e de 0,56% em Artigos de residência.

A queda em Alimentação e bebidas (-0,35%) deveu-se, especialmente, ao grupamento da alimentação no domicílio (-0,84%). A contribuição negativa mais intensa no grupo veio do tomate (-24,49% e -0,08 p.p. de impacto), cujos preços já haviam recuado em julho (-11,28%). Além disso, a batata-inglesa (-9,11%), as hortaliças e verduras (-6,53%) e as carnes (-0,75%) também recuaram em agosto, contribuindo para a variação negativa do grupo observada no mês. No lado das altas, os destaques foram as frutas (2,14%) e a cebola (7,05%), que contribuíram com impactos de 0,02 p.p. e 0,01 p.p., respectivamente.

A alimentação fora, por sua vez, acelerou de julho (0,15%) para agosto (0,53%), influenciada pelas altas na refeição (0,52%) e no lanche (0,47%), item cujos preços haviam recuado no mês anterior (-0,34%).

Nos Transportes (-0,39%), o impacto negativo mais intenso (-0,08 p.p.) veio das passagens aéreas, que caíram 15,66%, após as altas de 18,90% e 18,63% em junho e julho, respectivamente. Quanto aos combustíveis (0,01%), a gasolina (-0,45%) e o óleo diesel (-0,76%) recuaram menos do que o mês anterior (-2,80% e -1,76%, respectivamente). Já o etanol, cujos preços haviam recuado 3,13% em julho, subiu 2,30% em agosto.

Ainda em Transportes, o resultado do item ônibus intermunicipal (0,38%) foi influenciado pelo reajuste médio de 4,48% nas passagens intermunicipais de longo curso em Porto Alegre (3,69%), vigente desde 1º de agosto.

Em Saúde e cuidados pessoais (-0,03%), houve desaceleração no item plano de saúde (de 0,79% em julho para 0,03% em agosto), decorrente da apropriação da fração mensal do reajuste de 7,35% autorizado, em 23 de julho, pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) com vigência retroativa a maio, a ser aplicado nos planos individuais novos - aqueles com contratos vigentes a partir de 1999. O resultado é a fração mensal do reajuste, descontando a variação apropriada nos meses de maio, junho e julho. Já o item higiene pessoal (-0,75%) teve queda menos intensa do que no mês anterior (-2,01%) e contribuiu com -0,02 p.p.

O maior impacto individual no IPCA de agosto veio do grupo Habitação (1,19%). O item energia elétrica, que já havia registrado alta de 4,48% no mês anterior, subiu 3,85%, contribuindo com 0,15 p.p. no índice do mês. Após a vigência, em julho, da bandeira tarifária amarela, que onera as contas de luz em R$ 1,50 a cada 100 quilowatts-hora consumidos, passou a vigorar, em agosto, a bandeira vermelha patamar 1, em que há cobrança adicional de R$ 4,00 para cada 100 quilowatts-hora consumidos.

À exceção de Vitória (-8,64%) e Salvador (-1,37%), todas as demais regiões pesquisadas apresentaram variações positivas, que vão desde os 1,44% registrados em Campo Grande até os 9,01% observados em Fortaleza. Em Vitória, houve redução de 6,48% no valor das tarifas, a partir de 7 de agosto e, em Salvador, a variação negativa deveu-se à redução da alíquota de PIS/COFINS. Destacam-se também os reajustes de 1,94% nas tarifas em Belém (4,64%), vigente desde 7 de agosto, e de 7,03% nas tarifas de uma das concessionárias em São Paulo (5,06%), em vigor desde o dia 4 de julho.

Ainda em Habitação, o resultado do item gás encanado (0,46%) é consequência do reajuste de 0,99% nas tarifas no Rio de Janeiro (0,93%), vigente desde 1º de agosto. No que diz respeito ao item gás de botijão (-0,93%), ressalta-se que a Petrobras anunciou uma redução de 8,17% no preço do botijão de gás de 13 kg, nas refinarias, a partir de 5 de agosto.

O resultado da taxa de água e esgoto (1,34%), por sua vez, decorre da apropriação dos seguintes reajustes: Goiânia (0,35%) - reajuste de 5,79%, a partir de 1º de julho; Porto Alegre (0,23%) - reajuste de 7,69% nas tarifas de uma das concessionárias, a partir de 1º de julho; Belo Horizonte (8,13%) - reajuste de 8,73%, a partir de 1º de agosto; Vitória (4,59%) - reajuste de 4,93%, a partir de 1º de agosto; Recife (0,02%) - reajuste médio de 6,70%, vigente desde 12 de agosto.

Além disso, em Fortaleza (3,79%), houve redução, no dia 2 de julho, de 15,86% para 4,31%, do reajuste concedido inicialmente em fevereiro. No entanto, a partir do dia 9 de julho, a redução foi cancelada e o reajuste de 15,86% voltou a vigorar.

Quanto aos índices regionais, as maiores variações foram nas regiões metropolitanas de Fortaleza e de São Paulo, ambas com 0,33%. Esses dois resultados foram influenciados pela alta do item energia elétrica (9,01% em Fortaleza e 5,06% em São Paulo). O menor índice foi na região metropolitana de Vitória (-0,50%), também por conta da energia elétrica (-8,64%), em função da redução de 6,48% no valor das tarifas, vigente desde 7 de agosto.

Série histórica do IPCA

O IPCA é um dos índices mais importantes da economia brasileira, por isso é fundamental acompanhar suas movimentações.

Confira abaixo a série histórica do IPCA nos últimos doze meses:

  IPCA - Índice de Preços ao Consumidor Amplo
Mês/ano Valor (%) Acumulado Ano (%) Acumulado 12 meses (%)
Ago/2019 0,11 2,54 3,43
Jul/2019 0,19 2,42 3,22
Jun/2019 0,01 2,23 3,37
Mai/2019 0,13 2,22 4,66
Abr/2019 0,57 2,09 4,94
Mar/2019 0,75 1,51 4,58
Fev/2019 0,43 0,75 3,89
Jan/2019 0,32 0,32 3,78
Dezembro de 2018 0,15 3,75 3,75
Novembro de 2018 -0,21 3,59 4,05
Outubro de 2018 0,45 3,81 4,56
Setembro de 2018 0,48 3,34 4,53
Agosto de 2018 -0,09 2,85 4,19
Julho de 2018 0,33 2,94 4,48
Junho de 2018 1,26 2,60 4,39
Maio de 2018 0,40 1,33 2,86
Abril de 2018 0,22 0,92
2,76
Março de 2018 0,09 0,70 2,68
Fevereiro 2018 0,32 0,61 2,84
Janeiro 2018 0,29 0,29 2,86
Dezembro 2017 0,44 2,95 2,95
Novembro 2017 0,28 2,50 2,80
Outubro 2017 0,42 2,21 2,70
Setembro 2017 0,16 1,78 2,54
Agosto 2017 0,19 1,62 2,46
Julho 2017 0,24 1,43 2,71
Junho 2017 - 0,23 1,18 3,00
Maio 2017 0,31 1,42 3,60
Abril 2017 0,14 1,10 4,08
Março 2017 0,25 0,96 4,57
Fevereiro 2017 0,33 0,71 4,76
Janeiro 2017 0,38 0,38 5,35

Fonte: IBGE

Por ser considerado o índice oficial para medir a inflação no Brasil, é normal que os valores do IPCA sejam bastante semelhantes aos da inflação acumulada. Na tabela abaixo, você encontra a inflação acumulada e a meta de cada ano desde 2007 até 2017.

Analisando os dados a seguir, será possível perceber que a inflação acumulada no Brasil em 2017 ficou bem abaixo da meta na comparação com os anos anteriores. Essas mudanças de panorama justificam a importância do IPCA, já que o índice permite que essa situação possa ser monitorada tanto pelos órgãos competentes quanto pela população.

Inflação Acumulada Atual 
 Inflação Taxa  Meta
2017 2,95 4,5
2016 6,29 4,5
2015 10,67 4,5
2014 6,41 4,5
2013 5,91 4,5
2012 5,84 4,5
2011 6,50 4,5
2010 5,91 4,5
2009 4,31 4,5
2008 5,90 4,5
2007 4,46 4,5

Fonte: Banco Central do Brasil

O que é IPCA?

A sigla IPCA significa Índice de Preços ao Consumidor Amplo. Este é um índice criado em 1980 para medir a variação de preços do mercado para o consumidor final. Devido à sua abrangência e relevância, a partir dos anos 2000 se tornou o indicador de referência para o governo medir a inflação no País.

O período em que é feita a medição da variação dos preços ocorre entre o primeiro e o último dia de cada mês. A divulgação dos valores mensais para o público é feita no mês seguinte, entre os dias cinco e doze.

Este índice é importante porque reflete o custo de vida das famílias brasileiras com renda entre 1 e 40 salários mínimos. O cálculo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) considera gastos em diferentes setores, como:

- Moradia

- Alimentação e bebidas

- Educação

- Comunicação

- Transporte

- Vestuário

- Saúde e higiene pessoal

- Artigos para casa

- Despesas pessoais

Estas despesas diversas são levantadas em 13 regiões metropolitanas do País, buscando mensurar o padrão de consumo da população brasileira. Por ser grande em território e diversidade de culturas, os pesquisadores do IBGE levam em consideração as diferenças entre regiões. Um exemplo é o tipo de feijão analisado no quesito alimentação.

Nos estados do Pará, Espírito Santo e Rio de Janeiro é coletado o preço do feijão preto. Todavia, no restante dos estados, há maior consumo do feijão carioca e, portanto, é ele que aparece na cesta de produtos pesquisados.

É importante entender que quando o IPCA sobe, indica que os preços de alguns produtos e serviços poderão ficar mais caros. No entanto, quando ocorre queda do índice de um mês para o outro, significa que os preços subiram menos no período e não que caíram.

Apenas quando o IPCA fica negativo é que há queda nos preços dos produtos e serviços pesquisados. Esse movimento também é chamado de deflação.

Com esses dados em mãos, o Banco Central juntamente com o Conselho Monetário Nacional (CMN) pode verificar se o custo de vida das famílias brasileiras está aumentando ou não. Além disso, o monitoramento do IPCA é importante para que o governo averigue se tem cumprido as metas para a inflação. Caso contrário, seria difícil elaborar e colocar em prática medidas para conter a situação.

Muitos não sabem, mas o IPCA possui duas variações: o IPCA-15 e o IPCA-E. O primeiro funciona como uma prévia de inflação do mês, pois o período de coleta das informações vai do dia 16 de um mês até o dia 15 do mês seguinte.

O IPCA-E (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo Especial), por sua vez, possui a mesma metodologia de coleta utilizada no IPCA. A diferença entre eles é que o IPCA-E é divulgado ao final de cada trimestre, oferecendo um balanço trimestral da inflação. Ele é muito utilizado para calcular o reajuste do Imposto Predial e Territorial Urbano, mais conhecido pela sigla IPTU.

Outro detalhe: o IPCA-15 e o IPCA-E não abrangem a cidade de Campo Grande.

Como o IPCA afeta o bolso dos brasileiros

Como foi apresentado anteriormente, o IPCA é usado como referência para que o Banco Central monitore a inflação acumulada do País. Com isso, a população brasileira pode ser diretamente afetada pelas variações do índice, não só nas contas básicas do dia a dia como também nos investimentos.

Quando a inflação aumenta, há impacto direto no poder de compra da população. Ou seja, o preço de determinado produto fica mais caro e, portanto, exigirá uma parcela maior do orçamento familiar. Por isso que, de tempos em tempos, os salários também devem ser reajustados, para que haja alinhamento com a inflação.

Outra forma com que o IPCA afeta o bolso dos brasileiros é em relação à taxa básica de juros do País, também chamada de Selic. Se a inflação está alta, o governo costuma aumentar a taxa Selic com o objetivo de conter a inflação. Por outro lado, quando a inflação está sob controle, é possível que o governo brasileiro reduza a taxa de juros para incentivar o crescimento econômico no País.

No que se refere aos investimentos, uma das modalidades que está diretamente ligada ao IPCA é o Tesouro Direto. O programa do governo federal permite a compra e venda de títulos públicos através da internet e oferece títulos com rentabilidade atrelada a este índice.

Os títulos do Tesouro IPCA têm parte de sua remuneração atrelada ao índice e a outra parte se refere a uma taxa prefixada. Dessa forma, essa se torna uma opção interessante para quem quer investir e ter rentabilidade acima da inflação, especialmente no longo prazo.

Outras modalidades que também podem estar atreladas ao IPCA são:

- Letras de Crédito Imobiliário (LCI)

- Letras de Crédito do Agronegócio (LCA)

- Fundos de Investimento

Resumo: ficha técnica do IPCA

Para resumir as principais características desse índice, veja abaixo uma ficha técnica sobre o IPCA:

- Para que ele serve?

Monitora o custo de vida da população brasileira e é utilizado como indicador oficial de inflação pelo governo brasileiro.

- Qual é sua abrangência?

Os dados são coletados nas regiões metropolitanas de Belém, Belo Horizonte, Brasília, Campo Grande, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Vitória.

- Quais setores são incluídos em seu cálculo?

Seu cálculo engloba os custos com moradia, alimentação, transporte, vestuário, educação, saúde, artigos para casa, despesas pessoais e comunicação.  

- Quando informações são coletadas?

A coleta de dados para medir o IPCA ocorre entre o primeiro e o último dia de cada mês.

- Quem é responsável pela apuração deste índice?

O órgão responsável é o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

- Qual é a periodicidade do índice?

A atualização dos valores do IPCA é mensal.

Para conhecer outros índices fundamentais para a economia brasileira, veja também:

- IGP-M