IPCA - Índice de Preços ao Consumidor Amplo

  •  
Principal referência para a inflação no Brasil fechou 2017 abaixo da meta Foto: divulgação Principal referência para a inflação no Brasil fechou 2017 abaixo da meta

Entenda o que é IPCA e como este índice é calculado.

IPCA de outubro fica em 0,10%

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - IPCA do mês de outubro apresentou variação de 0,10%, enquanto, em setembro, havia registrado -0,04%, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (07) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este é o menor resultado para um mês de outubro desde 1998, quando o IPCA ficou em 0,02%. No acumulado do ano, o índice registrou 2,60% e, na ótica dos últimos doze meses, o índice ficou em 2,54%, abaixo dos 2,89% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em outubro de 2018, a taxa foi de 0,45%.

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, três apresentaram deflação de setembro para outubro, com destaque para Habitação (-0,61%), grupo responsável pela maior contribuição negativa no IPCA do mês, com -0,10 ponto percentual (p.p.).

Entre as taxas positivas, destacam-se o Vestuário (0,63%), Saúde e cuidados pessoais (0,40%) e Transportes (0,45%), com impacto de 0,08 p.p. no índice. Já Alimentação e bebidas, após a variação negativa observada em setembro (-0,43%), apresentou ligeira alta (0,05%), contribuindo com 0,01 p.p. Os demais grupos ficaram entre a queda de 0,09% em Artigos de residência e a alta de 0,20% em Despesas pessoais.

A variação positiva do grupo Alimentação e bebidas (0,05%) deveu-se, especialmente, ao grupamento da alimentação fora de casa, cuja alta passou de 0,04% em setembro para 0,19% em outubro. Após a queda de preços verificada no mês anterior (-0,06%), a refeição registrou alta de 0,24%, e o lanche, cujos preços já haviam subido em setembro (0,17%), registrou alta de 0,32%.

Já a alimentação no domicílio (-0,03%) apresentou queda pelo sexto mês consecutivo, embora esta tenha sido menos intensa que a registrada nos meses de agosto e setembro (-0,84% e -0,70%, respectivamente). Os destaques foram a cebola (-20,84%), com impacto de -0,04 p.p., e a batata-inglesa (-9,06%), com impacto de -0,02p.p. As carnes, por sua vez, apresentaram alta de 1,77% e contribuíram com o maior impacto individual no grupo, com 0,05 p.p.

Após estabilidade (0,00%) em setembro, Transportes apresentou variação de 0,45% em outubro, influenciado pela alta nos preços dos combustíveis (1,38%). A gasolina, que havia apresentado ligeira queda (-0,04%) no mês anterior, passou para uma alta de 1,28%, contribuindo com 0,05 p.p. no índice do mês. À exceção de Brasília (-0,17%) e São Luís (-0,79%), todas as áreas pesquisadas apresentaram variação positiva, indo desde o 0,33% registrado em Vitória até os 2,62% observados em Aracaju. Os preços do etanol (1,90%), do óleo diesel (1,82%) e do gás veicular (0,44%) também subiram e contribuíram para a aceleração dos combustíveis na comparação com o mês anterior (0,12%).

Ainda em Transportes, destaca-se a alta nos preços das passagens aéreas (1,93%) após dois meses com variações negativas (-15,66% em agosto e -1,54% em setembro).

O grupo Saúde e cuidados pessoais (0,40%) desacelerou em relação a setembro (0,58%). A maior contribuição individual (0,03 p.p.) veio do plano de saúde (0,59%), com resultado próximo ao do mês anterior (0,57%). Os preços em higiene pessoal (0,94%), por sua vez, subiram menos em relação a setembro (1,65%), com impacto de 0,02 p.p.

A maior variação positiva no IPCA de outubro ficou com grupo Vestuário (0,63%), com destaque para as altas observadas em roupa feminina (0,98%), roupa masculina (0,38%) e roupa infantil (0,30%). As joias e bijuterias mostraram aceleração, passando de uma alta de 1,92% em setembro para 2,23% em outubro.

Após a ligeira alta observada em setembro (0,02%), Habitação (-0,61%) apresentou, em outubro, a maior variação negativa entre os grupos pesquisados, principalmente em função da queda do item energia elétrica (-3,22%). À exceção de Salvador (0,86%) e Vitória (2,24%), todas as áreas registraram recuo nos preços, desde o -0,26% de Recife até os -5,99% de Goiânia. Enquanto, em setembro, estava em vigor a bandeira tarifária vermelha patamar 1, com acréscimo de R$ 4,00 a cada 100 quilowatts-hora consumidos, em outubro, passou a vigorar a bandeira amarela, cujo acréscimo é menor, de R$ 1,50 para cada 100 quilowatts-hora. Além disso, houve redução média de 5,30% nas tarifas residenciais de uma das concessionárias de São Paulo (-4,37%), vigente desde 23 de outubro. Em Brasília (-5,44%) e em Goiânia (-5,99%) também houve redução nas tarifas, ambas a partir de 22 de outubro: na primeira, a redução foi de 6,91% e, na segunda, de 5,08%.

Ainda em Habitação, destaca-se o reajuste de 4,87% na taxa de água e esgoto (0,52%) do Rio de Janeiro (4,40%), vigente desde 1º de outubro. No que diz respeito ao item gás de botijão (0,74%), ressalta-se que a Petrobrás anunciou um reajuste, nas refinarias, de 4,80% a 5,30% no preço do botijão de gás de 13 kg, a partir de 22 de outubro.

Quanto aos índices regionais, conforme mostra a tabela a seguir, a maior variação ficou com o município de Campo Grande (0,31%), principalmente por conta da alta no preço das carnes (4,47%) e da gasolina (2,29%). Já o menor índice foi registrado no município de São Luís (-0,37%), em função da queda observada no item energia elétrica (-4,43%) e da queda nos preços da cebola (-25,65%).

Série histórica do IPCA

O IPCA é um dos índices mais importantes da economia brasileira, por isso é fundamental acompanhar suas movimentações.

Confira abaixo a série histórica do IPCA nos últimos doze meses:

  IPCA - Índice de Preços ao Consumidor Amplo
Mês/ano Valor (%) Acumulado Ano (%) Acumulado 12 meses (%)
Out/2019 0,10 2,60 2,54
Set/2019 -0,04 2,49 2,89
Ago/2019 0,11 2,54 3,43
Jul/2019 0,19 2,42 3,22
Jun/2019 0,01 2,23 3,37
Mai/2019 0,13 2,22 4,66
Abr/2019 0,57 2,09 4,94
Mar/2019 0,75 1,51 4,58
Fev/2019 0,43 0,75 3,89
Jan/2019 0,32 0,32 3,78
Dezembro de 2018 0,15 3,75 3,75
Novembro de 2018 -0,21 3,59 4,05
Outubro de 2018 0,45 3,81 4,56
Setembro de 2018 0,48 3,34 4,53
Agosto de 2018 -0,09 2,85 4,19
Julho de 2018 0,33 2,94 4,48
Junho de 2018 1,26 2,60 4,39
Maio de 2018 0,40 1,33 2,86
Abril de 2018 0,22 0,92
2,76
Março de 2018 0,09 0,70 2,68
Fevereiro 2018 0,32 0,61 2,84
Janeiro 2018 0,29 0,29 2,86
Dezembro 2017 0,44 2,95 2,95
Novembro 2017 0,28 2,50 2,80
Outubro 2017 0,42 2,21 2,70
Setembro 2017 0,16 1,78 2,54
Agosto 2017 0,19 1,62 2,46
Julho 2017 0,24 1,43 2,71
Junho 2017 - 0,23 1,18 3,00
Maio 2017 0,31 1,42 3,60
Abril 2017 0,14 1,10 4,08
Março 2017 0,25 0,96 4,57
Fevereiro 2017 0,33 0,71 4,76
Janeiro 2017 0,38 0,38 5,35

Fonte: IBGE

Por ser considerado o índice oficial para medir a inflação no Brasil, é normal que os valores do IPCA sejam bastante semelhantes aos da inflação acumulada. Na tabela abaixo, você encontra a inflação acumulada e a meta de cada ano desde 2007 até 2017.

Analisando os dados a seguir, será possível perceber que a inflação acumulada no Brasil em 2017 ficou bem abaixo da meta na comparação com os anos anteriores. Essas mudanças de panorama justificam a importância do IPCA, já que o índice permite que essa situação possa ser monitorada tanto pelos órgãos competentes quanto pela população.

Inflação Acumulada Atual 
 Inflação Taxa  Meta
2017 2,95 4,5
2016 6,29 4,5
2015 10,67 4,5
2014 6,41 4,5
2013 5,91 4,5
2012 5,84 4,5
2011 6,50 4,5
2010 5,91 4,5
2009 4,31 4,5
2008 5,90 4,5
2007 4,46 4,5

Fonte: Banco Central do Brasil

O que é IPCA?

A sigla IPCA significa Índice de Preços ao Consumidor Amplo. Este é um índice criado em 1980 para medir a variação de preços do mercado para o consumidor final. Devido à sua abrangência e relevância, a partir dos anos 2000 se tornou o indicador de referência para o governo medir a inflação no País.

O período em que é feita a medição da variação dos preços ocorre entre o primeiro e o último dia de cada mês. A divulgação dos valores mensais para o público é feita no mês seguinte, entre os dias cinco e doze.

Este índice é importante porque reflete o custo de vida das famílias brasileiras com renda entre 1 e 40 salários mínimos. O cálculo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) considera gastos em diferentes setores, como:

- Moradia

- Alimentação e bebidas

- Educação

- Comunicação

- Transporte

- Vestuário

- Saúde e higiene pessoal

- Artigos para casa

- Despesas pessoais

Estas despesas diversas são levantadas em 13 regiões metropolitanas do País, buscando mensurar o padrão de consumo da população brasileira. Por ser grande em território e diversidade de culturas, os pesquisadores do IBGE levam em consideração as diferenças entre regiões. Um exemplo é o tipo de feijão analisado no quesito alimentação.

Nos estados do Pará, Espírito Santo e Rio de Janeiro é coletado o preço do feijão preto. Todavia, no restante dos estados, há maior consumo do feijão carioca e, portanto, é ele que aparece na cesta de produtos pesquisados.

É importante entender que quando o IPCA sobe, indica que os preços de alguns produtos e serviços poderão ficar mais caros. No entanto, quando ocorre queda do índice de um mês para o outro, significa que os preços subiram menos no período e não que caíram.

Apenas quando o IPCA fica negativo é que há queda nos preços dos produtos e serviços pesquisados. Esse movimento também é chamado de deflação.

Com esses dados em mãos, o Banco Central juntamente com o Conselho Monetário Nacional (CMN) pode verificar se o custo de vida das famílias brasileiras está aumentando ou não. Além disso, o monitoramento do IPCA é importante para que o governo averigue se tem cumprido as metas para a inflação. Caso contrário, seria difícil elaborar e colocar em prática medidas para conter a situação.

Muitos não sabem, mas o IPCA possui duas variações: o IPCA-15 e o IPCA-E. O primeiro funciona como uma prévia de inflação do mês, pois o período de coleta das informações vai do dia 16 de um mês até o dia 15 do mês seguinte.

O IPCA-E (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo Especial), por sua vez, possui a mesma metodologia de coleta utilizada no IPCA. A diferença entre eles é que o IPCA-E é divulgado ao final de cada trimestre, oferecendo um balanço trimestral da inflação. Ele é muito utilizado para calcular o reajuste do Imposto Predial e Territorial Urbano, mais conhecido pela sigla IPTU.

Outro detalhe: o IPCA-15 e o IPCA-E não abrangem a cidade de Campo Grande.

Como o IPCA afeta o bolso dos brasileiros

Como foi apresentado anteriormente, o IPCA é usado como referência para que o Banco Central monitore a inflação acumulada do País. Com isso, a população brasileira pode ser diretamente afetada pelas variações do índice, não só nas contas básicas do dia a dia como também nos investimentos.

Quando a inflação aumenta, há impacto direto no poder de compra da população. Ou seja, o preço de determinado produto fica mais caro e, portanto, exigirá uma parcela maior do orçamento familiar. Por isso que, de tempos em tempos, os salários também devem ser reajustados, para que haja alinhamento com a inflação.

Outra forma com que o IPCA afeta o bolso dos brasileiros é em relação à taxa básica de juros do País, também chamada de Selic. Se a inflação está alta, o governo costuma aumentar a taxa Selic com o objetivo de conter a inflação. Por outro lado, quando a inflação está sob controle, é possível que o governo brasileiro reduza a taxa de juros para incentivar o crescimento econômico no País.

No que se refere aos investimentos, uma das modalidades que está diretamente ligada ao IPCA é o Tesouro Direto. O programa do governo federal permite a compra e venda de títulos públicos através da internet e oferece títulos com rentabilidade atrelada a este índice.

Os títulos do Tesouro IPCA têm parte de sua remuneração atrelada ao índice e a outra parte se refere a uma taxa prefixada. Dessa forma, essa se torna uma opção interessante para quem quer investir e ter rentabilidade acima da inflação, especialmente no longo prazo.

Outras modalidades que também podem estar atreladas ao IPCA são:

- Letras de Crédito Imobiliário (LCI)

- Letras de Crédito do Agronegócio (LCA)

- Fundos de Investimento

Resumo: ficha técnica do IPCA

Para resumir as principais características desse índice, veja abaixo uma ficha técnica sobre o IPCA:

- Para que ele serve?

Monitora o custo de vida da população brasileira e é utilizado como indicador oficial de inflação pelo governo brasileiro.

- Qual é sua abrangência?

Os dados são coletados nas regiões metropolitanas de Belém, Belo Horizonte, Brasília, Campo Grande, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Vitória.

- Quais setores são incluídos em seu cálculo?

Seu cálculo engloba os custos com moradia, alimentação, transporte, vestuário, educação, saúde, artigos para casa, despesas pessoais e comunicação.  

- Quando informações são coletadas?

A coleta de dados para medir o IPCA ocorre entre o primeiro e o último dia de cada mês.

- Quem é responsável pela apuração deste índice?

O órgão responsável é o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

- Qual é a periodicidade do índice?

A atualização dos valores do IPCA é mensal.

Para conhecer outros índices fundamentais para a economia brasileira, veja também:

- IGP-M